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Uso Consciente da água: desafios do setor de C&P

27/03/2013 - 15:34

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O setor de celulose e papel sempre teve sua imagem ligada ao alto consumo de água, explicado pela característica dos seus processos, pois, a água é empregada como veículo da polpa para transportá-la através das diversas etapas previstas para elaboração do produto final.

No final da década de 80 o setor percebeu a necessidade de harmonização entre a atividade econômica com o segmento social, para tanto, iniciou uma reavaliação de seus processos de forma a reduzir o consumo de água na geração de seus produtos. O consumo específico de água que apresentava valores na faixa de 200 a 180 m³/ TSA (tonelada seca ao ar) foi reduzido para faixa de 50 a 35 m³/TSA. Esta reavaliação passou por modificações dos processos existentes, novas tecnologias, introdução de alterações das práticas gerenciais e operacionais. Também as práticas de manejo floresta foram alteradas, de forma a obter também redução de consumo de água na obtenção da matéria prima. Sistemas de Recuperação de Perdas forma implantados em projetos mais antigos, enquanto nos novos, foram especificados na etapa de projeto.

Ao longo dos últimos anos o setor tem visto os desafios aumentarem. Cobrança pelo uso de recursos hídricos, os novos empreendimentos necessitam produzir volumes maiores para manterem a competitividade, fábricas médias e pequenas não têm à disposição políticas de estímulo para empreender em novas tecnologias, além do custo elevado do recurso financeiro.

Os novos empreendimentos do setor têm conseguido resultados expressivos na redução do consumo especifico de água, mas paralelamente, houve também uma redução drástica no consumo especifico de energia elétrica e vapor, o que contribui de forma direta para redução do consumo de água. As fábricas de papéis de embalagem e de papéis sanitários também vêm obtendo resultados excelentes com fechamento parcial de seus circuitos de água, mesmo que, o nível de exigência de qualidade da água deste tipo de produto, é bem inferior comparado com a exigência de qualidade para celulose. Algumas fábricas têm conseguido recircular mais de 80% dos efluentes gerados no processo. Outro desafio importante, principalmente para as fábricas de celulose, é o desenvolvimento de materiais, de forma, que resistam mais à tendência corrosiva que os efluentes adquirem a medida que o nível de recirculação se torna elevado. O nível de temperatura do sistema de água também é outro fator que tenderá a se elevar como aumento de recirculação de efluentes.

Está claro para o segmento de celulose e papel que cada etapa do processo de fabricação, como Evaporação de Licor negro, Lavagem, Depuração, Branqueamento, Refinação, Separador de Fibra, entre outras, terá que buscar desenvolver tecnologia que gerem efluentes com nível de qualidade superior aos obtidos até o momento, de forma a poder recircular este efluente dentro do processo. O mesmo desenvolvimento é esperado para as tecnologias “End of Pipe”, através do aumento da eficiência dos tratamentos secundários e viabilização econômica de tratamentos terciários.

Os avanços significativos na redução do consumo de água que as fábricas de celulose e papel conseguiram nos últimos anos realmente demostram que as mesmas apresentam desempenho compatível com as melhores tecnologias disponíveis e economicamente viáveis, mas é importante salientar, para encerrar, que, mesmo com esta redução a busca pela redução tem que continuar, para reduzir a níveis menores ainda, diminuindo consequentemente o impacto do consumo nas bacias onde as fábricas estão inseridas.

Por Nei Lima, é consultor ambiental e coordenador Comissão Técnica de Meio Ambiente da ABTCP

Assessoria de Comunicação Unilago

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